Mercado Externo

Casa Branca prepara suspensão de exportação de diesel americano por 90 dias, diz site

23/09/2026 3 min de leitura

23 de setembro de 2026.

De acordo com o Politico, medida tem fins eleitoreiros; se for concretizado, veto pode afetar o Brasil, que importa cerca de 30% do diesel que consome.

A Casa Branca está preparando um plano para suspender por 90 dias as exportações de diesel, em uma tentativa de reduzir os preços do combustível no país, segundo cinco fontes ouvidas pelo site americano Politico. A medida tem apoio do presidente Donald Trump, mas não é consenso no governo e é criticada pela indústria petrolífera. Caso a proibição seja concretizada, pode afetar o Brasil, que importa cerca de 30% do combustível que consome.

Motivação política

De acordo com o Politico, o processo legal para vetar as vendas de diesel ao mercado externo ainda está sendo definido. Ontem, Trump disse que apoiaria a medida, que busca atender anseios político-eleitoreiros. Senadores que vão disputar as eleições de meio de mandato, em novembro, estão pressionando pelo veto sob a alegação de que isso levaria à queda no preço do diesel.

Resistência dentro do governo

A possível proibição enfrenta resistência dentro do próprio governo Trump e do setor petrolífero. O secretário de Energia, Chris Wright, já chegou a alertar que a medida poderia provocar excesso de diesel na Costa do Golfo, forçar refinarias a reduzir a produção e, consequentemente, afetar também a produção de gasolina.

“Se você começar a impor barreiras ao fluxo, muito rapidamente reduzirá a produção e terá menos oferta. Precisamos de mais oferta, não de menos.” — Chris Wright, secretário de Energia dos EUA

O secretário do Interior, Doug Burgum, afirmou ainda que a restrição poderia provocar retaliações de países exportadores de energia.

Críticas do setor petrolífero

No setor petrolífero, Todd Staples, presidente da associação de petróleo e gás do Texas (TXOGA), disse que a medida poderia causar escassez de combustível nos EUA e levar aliados a buscar fornecedores como China e Rússia, informou a Reuters.

Preços na Europa sobem

Em teoria, a medida até reduziria temporariamente os preços na Costa do Golfo dos EUA, mas causaria impacto na Europa, que enfrenta uma escassez estrutural de diesel e depende das exportações americanas.

“Isso parece ser bastante prejudicial para alguns aliados importantes dos EUA.” — Jim Mitchell, diretor de análise de negociação de petróleo da consultoria Wood Mackenzie, à Reuters

Segundo o Politico, qualquer interrupção das exportações seria a primeira restrição desde que o governo Obama suspendeu, em 2015, uma proibição de décadas à exportação de petróleo.

Os efeitos da ameaça de Trump já fizeram os preços do combustível dispararem na Europa, enquanto os contratos futuros nos Estados Unidos ficaram sob pressão.

Fonte original: O Globo — Publicado em 23/09/2026 às 14h41 | Por O Globo com agências internacionais

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