Mercado Externo

O estreito que colocou o petróleo do mundo no centro da guerra contra o Irã

24/09/2026 3 min de leitura

24 de setembro de 2026.

Ataques iniciados por Estados Unidos e Israel em fevereiro de 2026 desencadearam uma guerra que reduziu drasticamente o tráfego pelo Estreito de Ormuz.

Em 15 de setembro de 2026, somente quatro embarcações foram identificadas atravessando o Estreito de Ormuz. Antes da guerra, aproximadamente 140 navios realizavam diariamente a passagem entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã. A redução revelou a capacidade de um corredor marítimo estreito de afetar o abastecimento de energia em diferentes partes do planeta.

A crise

A crise começou em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel iniciaram uma campanha de ataques contra o Irã. O governo norte-americano apresentou a operação como resposta ao programa nuclear iraniano e à atuação militar de Teerã no Oriente Médio. Os bombardeios ocorreram enquanto ainda havia negociações sobre o programa nuclear e mataram o líder supremo Ali Khamenei, além de atingir instalações militares, nucleares e governamentais.

O Irã reagiu com ataques contra Israel, bases norte-americanas e embarcações que atravessavam a região. Também passou a restringir a navegação por Ormuz, autorizando seletivamente algumas passagens e ameaçando navios relacionados aos Estados Unidos e seus aliados.

A importância do estreito

A importância do estreito é determinada por sua localização. Ormuz constitui a única saída marítima do Golfo Pérsico para o oceano aberto. Em 2024, aproximadamente 20 milhões de barris de petróleo e derivados atravessaram diariamente a passagem, volume equivalente a cerca de um quinto do consumo mundial. O corredor também era utilizado por uma parcela semelhante do comércio internacional de gás natural liquefeito.

Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos possuem oleodutos capazes de desviar parte da produção, mas essas alternativas não comportam todo o volume normalmente transportado pelo estreito. Kuwait, Catar, Bahrein e Iraque dependem ainda mais diretamente da rota. Por isso, mesmo países distantes do conflito sentiram seus efeitos nos preços dos combustíveis, nos custos do transporte e na inflação.

A antiga guerra dos petroleiros

O uso da navegação como instrumento de pressão possui um precedente direto na década de 1980. Durante a Guerra Irã-Iraque, iniciada em 1980, os dois países atacaram navios e instalações petrolíferas para reduzir a capacidade econômica do adversário. Essa etapa do conflito ficou conhecida como Guerra dos Petroleiros.

O Iraque ampliou os ataques contra navios ligados ao comércio iraniano em 1984. O Irã respondeu atingindo embarcações de países que apoiavam o governo iraquiano de Saddam Hussein. Centenas de navios comerciais foram atacados ou danificados no Golfo Pérsico durante os anos seguintes.

Fonte original: Aventuras na História — Publicado em 24/09/2026 às 19h00 | Por Tico Teixeira

Últimas publicações

Conteúdo baseado em fontes públicas como ANP, CEPEA/Esalq, Banco Central, EIA, Petrobras e IBGE.