19 de agosto de 2026.
O mercado físico de etanol hidratado finalizou a primeira metade de agosto com um forte movimento de alta nos preços no Centro-Sul, com direção clara à máxima de R$ 3,00 o litro, segundo análise da consultoria Safras & Mercado.
Da cautela à disputa por disponibilidade
O movimento recente marca uma virada no comportamento do mercado: as distribuidoras saíram de uma postura de excesso de cautela para uma disputa pontual por disponibilidade, enquanto a oferta das usinas ainda não conseguiu responder plenamente à demanda.
O ponto central, segundo a análise, é que essa firmeza não significa necessariamente o início de um ciclo sustentado de alta — o movimento começou pelo lado da demanda e da recomposição de estoques, e não por uma mudança estrutural nos fundamentos do mercado.
Fatores que restringiram a oferta
Dois elementos combinados apertaram a disponibilidade de hidratado:
- Com a valorização do açúcar, as usinas passaram a direcionar maior parcela do mix de cana para a produção do adoçante, reduzindo a oferta de etanol;
- As distribuidoras vinham operando com estoques curtos, fazendo compras muito próximas da necessidade imediata, em parte pelo receio de que os preços continuassem em queda.
Raízen como gatilho do movimento
Quando a Raízen Distribuidora aumentou o apetite de compra, funcionou como gatilho para um mercado que já estava fisicamente mais apertado. A partir daí, as demais distribuidoras perceberam a necessidade de recomposição praticamente ao mesmo tempo — mas encontraram um cenário diferente do que esperavam: menor oferta, usinas mais firmes e preços em alta.
Calendário escolar como fator de demanda
A retomada do calendário escolar também é apontada como relevante nesse processo: primeiro nas redes estaduais e, posteriormente, nas particulares, tende a aumentar a circulação de veículos e, consequentemente, a demanda por combustível.
Fonte: Canal Rural