19 de agosto de 2026.
Em meio à escalada de tensão com o Irã, os Estados Unidos montaram discretamente uma operação militar para garantir o transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de energia do mundo, segundo o site norte-americano Axios.
Corredor marítimo controlado pelos EUA
De acordo com dois oficiais americanos ouvidos pelo Axios, entre 15 e 20 petroleiros passaram a utilizar diariamente um corredor marítimo controlado pelas forças dos EUA no sul do estreito, junto à costa de Omã.
A operação, em andamento há várias semanas, permite:
- A entrada de navios vazios no Golfo Pérsico;
- A saída de embarcações carregadas com petróleo.
A força-tarefa responsável é coordenada pelo quartel-general da 82ª Divisão Aerotransportada do Exército dos EUA, em Fort Bragg, na Carolina do Norte.
Volume transportado
A estimativa das autoridades americanas é de que cerca de 10 milhões de barris por dia estejam deixando a região e chegando ao mercado internacional — aproximadamente metade do volume transportado por Ormuz antes da guerra. Em algumas noites, o fluxo chegou a ficar entre 15 e 20 milhões de barris por dia.
Como parte da operação, militares ajudam petroleiros vazios a entrar no Golfo, abastecer e sair — trabalho coordenado com aliados dos EUA na região, que fornecem a lista de embarcações autorizadas.
Declaração de Trump
O presidente Donald Trump afirmou nesta quarta-feira (19) que o Estreito de Ormuz "estava aberto" e que "muitos barcos" estavam passando por ele.
Irã nega e exige fim das sanções
O Irã negou repetidamente as afirmações de Trump sobre a situação em Ormuz e apresentou uma série de exigências para a reabertura plena da via marítima, incluindo:
- Fim das sanções;
- Fim do bloqueio naval aos portos iranianos;
- Fim das ameaças militares.
Irã perde controle da rota
Segundo análise da CNN, mais de 80% do tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz nas últimas duas semanas usou a rota de Omã — um canal autorizado pela ONU ao qual o Irã se opõe veementemente. De acordo com a Kpler, empresa que monitora embarcações via satélite, o cenário representa forte contraste com o de um mês atrás, quando praticamente não havia tráfego registrado por essa rota.
"Parece cada vez mais que o Irã perdeu, ao menos parcialmente, o controle do estreito." — Homayoun Falakshahi, chefe de análise de petróleo bruto da Kpler
A drástica redução na circulação pela rota de preferência de Teerã também impediu o país de cobrar pedágio sobre o trânsito de navios, prática que vinha adotando na primavera. Com o fim de um acordo provisório entre EUA e Irã nesta semana, no entanto, os iranianos podem voltar a tentar cobrar esse pedágio.
Fonte: CartaCapital