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Biodiesel: Como Ele Entra na Composição do Diesel e Impacta o Preço na Bomba

04/08/2026 6 min de leitura

O Que É o Biodiesel e Por Que Ele É Misturado ao Diesel

O biodiesel é um combustível renovável produzido principalmente a partir de óleo de soja — a matéria-prima mais usada no Brasil, dado o tamanho da nossa produção agrícola — mas também de outras oleaginosas, sebo animal e óleos residuais. Ele é quimicamente diferente do diesel de petróleo, mas tem propriedades parecidas o suficiente para ser misturado ao diesel fóssil e usado nos motores sem necessidade de adaptação.

A obrigatoriedade dessa mistura existe desde 2005, quando foi criado o Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB), com dois objetivos principais: reduzir a dependência brasileira de diesel importado, produzindo parte do combustível internamente a partir de matéria-prima agrícola nacional, e fomentar a agricultura familiar e a cadeia produtiva de oleaginosas no país.

Como Funciona a Mistura: o Conceito de Diesel B

O combustível vendido nos postos, chamado de diesel B, é uma mistura entre o diesel A (100% fóssil, sem qualquer adição) e o biodiesel. O percentual de biodiesel presente nessa mistura é definido pelo CNPE (Conselho Nacional de Política Energética), órgão vinculado ao Ministério de Minas e Energia, e vem aumentando gradualmente ao longo dos anos.

Em agosto de 2025, entrou em vigor o B15 — ou seja, 15% de biodiesel e 85% de diesel A na mistura. Esse percentual não é fixo para sempre: o CNPE pode revisar o índice periodicamente, e já houve momentos em que o cronograma previa avançar para um novo percentual e o conselho decidiu manter o índice anterior (o B14) por mais tempo, justamente para evitar pressão adicional no preço final do diesel quando o biodiesel estava mais caro que o diesel fóssil.

Como o Biodiesel Entra no Cálculo do Preço do Litro

Como o diesel B é uma mistura, o preço final pago pelo consumidor reflete a soma proporcional dos dois componentes, ponderada pelo percentual de mistura vigente. De forma simplificada, usando o B15 como exemplo:

Preço DieselB= (0,85×Prec\coDieselA)+(0,15×Prec\coBiodiesel)

Ou seja: 85% do preço final vem do diesel fóssil, que por sua vez já reflete o PPI, o Brent e o dólar, e 15% vem do preço do biodiesel negociado no mercado.

Um ponto que costuma surpreender

O biodiesel nem sempre é mais caro que o diesel fóssil. Segundo dados da ANP, há semanas em que o biodiesel fica mais barato que o diesel A, e nesses casos a mistura efetivamente ajuda a diluir o custo final do diesel B. Em outras semanas, a relação se inverte, e o biodiesel encarece a mistura.

Por isso, dizer que "o biodiesel sempre encarece o diesel" é uma simplificação incorreta: o efeito depende de qual dos dois componentes está mais caro em cada momento específico.

Apesar dessa oscilação, o fator que segue pesando mais no preço final do diesel na bomba continua sendo o diesel A — porque representa a maior parte da mistura (85% no caso do B15) e porque seu preço está diretamente ligado ao Brent, ao dólar e à política de preços da Petrobras, que costumam ter oscilações bem maiores do que o biodiesel.

Por Que Cada Região do Brasil Tem Seu Próprio Balizador de Preço

Este é um ponto essencial: diferente do diesel fóssil, que segue uma lógica nacional de PPI baseada em benchmarks internacionais, e diferente até do etanol, que tem no indicador Cepea/Esalq de São Paulo a referência mais usada nacionalmente, o biodiesel não tem um preço único e nacional. Ele é fortemente regionalizado, por alguns motivos estruturais:

Matéria-prima predominante

Muda de região para região. No Centro-Oeste e no Sul, onde a produção de soja é maior, o biodiesel costuma ser produzido majoritariamente a partir de óleo de soja. Já em regiões com forte pecuária ou processamento de proteína animal, o sebo bovino pode ganhar peso relevante na composição da matéria-prima. Isso faz com que o custo de produção varie conforme a disponibilidade local de insumo.

Distribuição desigual das usinas

A comercialização do biodiesel acontece por meio de leilões realizados pela ANP, mas as usinas produtoras estão distribuídas de forma desigual pelo país — há forte concentração no Centro-Oeste (Mato Grosso, Goiás) e no Sul (Rio Grande do Sul, Paraná), justamente onde a cadeia de soja é mais forte. Isso significa que o custo logístico de transportar biodiesel até as distribuidoras varia bastante dependendo de quão perto ou longe a região consumidora está das usinas produtoras.

Preço apurado por faixa regional

O preço praticado nos leilões da ANP — principal mecanismo de referência para a compra de biodiesel pelas distribuidoras — é apurado e divulgado por faixa regional, refletindo justamente essas diferenças de custo de matéria-prima, produção e logística entre as praças. Por isso, o preço do biodiesel comercializado no Centro-Oeste pode ser diferente do preço praticado no Sul ou no Nordeste, mesmo em uma mesma semana.

Esse comportamento é bem diferente do diesel fóssil, cujo preço de referência (baseado no PPI, Brent e dólar) tende a ser mais homogêneo nacionalmente antes da aplicação de custos logísticos locais — e também diferente do etanol, cujo indicador Cepea/Esalq de São Paulo, apesar de ter variações regionais específicas (Goiás, Mato Grosso, Alagoas, Pernambuco), tem uma referência mais consolidada e amplamente seguida pelo mercado como um todo.

Por Que Isso Importa Para Quem Acompanha o Setor de Combustíveis

Entender essa dinâmica regionalizada do biodiesel ajuda a explicar por que o preço final do diesel B pode variar de forma diferente entre estados e regiões do Brasil, mesmo quando o diesel A — a parte fóssil da mistura — está com preço praticamente uniforme em todo o território nacional.

Analistas do setor que acompanham margens e formação de preço precisam, portanto, olhar não apenas para o Brent, o dólar e o PPI, que afetam o diesel A de forma nacional, mas também para o comportamento regional dos leilões de biodiesel da ANP e para o custo local da matéria-prima — soja, sebo ou outros óleos —, já que esse componente carrega uma dinâmica própria, desconectada do mercado internacional de petróleo.

Criação e adaptação: Salespetro

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Conteúdo baseado em fontes públicas como ANP, CEPEA/Esalq, Banco Central, EIA, Petrobras e IBGE.