Medida envolve sete países e busca apoiar a estabilidade do mercado global em meio às tensões geopolíticas no Oriente Médio
A Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) aprovou um aumento de 188 mil barris por dia (bpd) na cota de produção do grupo. O ajuste será implementado a partir de setembro de 2026.
A decisão foi tomada em reunião virtual realizada neste domingo (2), com a participação de representantes da Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Omã.
Segundo o comunicado divulgado após o encontro, a medida faz parte do compromisso coletivo dos países de contribuir para a estabilidade do mercado internacional de petróleo.
Distribuição do aumento
O acréscimo de produção será distribuído entre os sete países participantes:
Argélia: +6 mil bpd;
Iraque: +26 mil bpd;
Kuwait: +16 mil bpd;
Arábia Saudita: +62 mil bpd;
Cazaquistão: +10 mil bpd;
Omã: +5 mil bpd;
Rússia: +62 mil bpd.
Os valores individuais divulgados somam aproximadamente 187 mil barris por dia, diferença residual em relação ao total de 188 mil bpd, possivelmente relacionada a arredondamentos.
Compensação por produção excedente
A Opep+ afirmou que o ajuste também permitirá aos países participantes acelerar a compensação por volumes produzidos acima das metas estabelecidas.
O grupo reiterou o compromisso de alcançar a plena conformidade com a Declaração de Cooperação, incluindo os cortes e ajustes voluntários adicionais anunciados anteriormente. O cumprimento das metas continuará sendo monitorado pelo Comitê Conjunto de Monitoramento Ministerial (JMMC).
Os integrantes também confirmaram a intenção de compensar integralmente qualquer volume produzido acima do acordado desde janeiro de 2024.
Impactos esperados para o mercado
O aumento aprovado é relativamente moderado diante do tamanho do mercado global, mas ocorre em um momento de elevada sensibilidade nos preços do petróleo.
As cotações seguem influenciadas por:
tensões entre Estados Unidos e Irã;
riscos de interrupção no Estreito de Ormuz;
restrições às exportações russas de derivados;
evolução dos conflitos no Oriente Médio;
comportamento da demanda global;
variações do dólar e dos custos de transporte.
Em um cenário de oferta mais restrita, o aumento da produção da Opep+ pode ajudar a aliviar parcialmente a pressão sobre os preços. No entanto, o efeito dependerá da efetiva entrega dos volumes, da evolução dos conflitos e do comportamento da demanda internacional.
Reflexos para o Brasil
Para o Brasil, a decisão pode influenciar os custos de importação de petróleo e derivados, como diesel e gasolina. Embora o país produza petróleo em quantidade relevante, ainda depende de importações de combustíveis por causa das limitações do parque de refino e do perfil de consumo doméstico.
Uma eventual redução ou estabilização das cotações internacionais pode aliviar o custo de reposição dos derivados importados. Por outro lado, interrupções logísticas ou novas escaladas geopolíticas podem neutralizar esse efeito e manter a pressão sobre os preços internos.
O mercado brasileiro também permanece sensível ao Preço de Paridade de Importação (PPI), ao câmbio e aos fretes marítimos — fatores que afetam diretamente distribuidoras, postos de combustíveis e grandes consumidores.
Próxima reunião
A próxima reunião da Opep+ está prevista para 6 de setembro de 2026, quando os países deverão revisar novamente as condições e as perspectivas do mercado global de petróleo.
Fonte: Estadão Conteúdo.