Mercado Externo

Opep+ aprova aumento de 188 mil barris por dia na produção de petróleo em setembro

06/08/2026 3 min de leitura

Medida envolve sete países e busca apoiar a estabilidade do mercado global em meio às tensões geopolíticas no Oriente Médio

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) aprovou um aumento de 188 mil barris por dia (bpd) na cota de produção do grupo. O ajuste será implementado a partir de setembro de 2026.

A decisão foi tomada em reunião virtual realizada neste domingo (2), com a participação de representantes da Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Omã.

Segundo o comunicado divulgado após o encontro, a medida faz parte do compromisso coletivo dos países de contribuir para a estabilidade do mercado internacional de petróleo.

Distribuição do aumento

O acréscimo de produção será distribuído entre os sete países participantes:

Argélia: +6 mil bpd;

Iraque: +26 mil bpd;

Kuwait: +16 mil bpd;

Arábia Saudita: +62 mil bpd;

Cazaquistão: +10 mil bpd;

Omã: +5 mil bpd;

Rússia: +62 mil bpd.

Os valores individuais divulgados somam aproximadamente 187 mil barris por dia, diferença residual em relação ao total de 188 mil bpd, possivelmente relacionada a arredondamentos.

Compensação por produção excedente

A Opep+ afirmou que o ajuste também permitirá aos países participantes acelerar a compensação por volumes produzidos acima das metas estabelecidas.

O grupo reiterou o compromisso de alcançar a plena conformidade com a Declaração de Cooperação, incluindo os cortes e ajustes voluntários adicionais anunciados anteriormente. O cumprimento das metas continuará sendo monitorado pelo Comitê Conjunto de Monitoramento Ministerial (JMMC).

Os integrantes também confirmaram a intenção de compensar integralmente qualquer volume produzido acima do acordado desde janeiro de 2024.

Impactos esperados para o mercado

O aumento aprovado é relativamente moderado diante do tamanho do mercado global, mas ocorre em um momento de elevada sensibilidade nos preços do petróleo.

As cotações seguem influenciadas por:

tensões entre Estados Unidos e Irã;

riscos de interrupção no Estreito de Ormuz;

restrições às exportações russas de derivados;

evolução dos conflitos no Oriente Médio;

comportamento da demanda global;

variações do dólar e dos custos de transporte.

Em um cenário de oferta mais restrita, o aumento da produção da Opep+ pode ajudar a aliviar parcialmente a pressão sobre os preços. No entanto, o efeito dependerá da efetiva entrega dos volumes, da evolução dos conflitos e do comportamento da demanda internacional.

Reflexos para o Brasil

Para o Brasil, a decisão pode influenciar os custos de importação de petróleo e derivados, como diesel e gasolina. Embora o país produza petróleo em quantidade relevante, ainda depende de importações de combustíveis por causa das limitações do parque de refino e do perfil de consumo doméstico.

Uma eventual redução ou estabilização das cotações internacionais pode aliviar o custo de reposição dos derivados importados. Por outro lado, interrupções logísticas ou novas escaladas geopolíticas podem neutralizar esse efeito e manter a pressão sobre os preços internos.

O mercado brasileiro também permanece sensível ao Preço de Paridade de Importação (PPI), ao câmbio e aos fretes marítimos — fatores que afetam diretamente distribuidoras, postos de combustíveis e grandes consumidores.

Próxima reunião

A próxima reunião da Opep+ está prevista para 6 de setembro de 2026, quando os países deverão revisar novamente as condições e as perspectivas do mercado global de petróleo.

Fonte: Estadão Conteúdo.

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