Mercado Externo

Petróleo oscila com expectativa de acordo entre EUA e Irã; Goldman Sachs avalia “preço justo” do Brent

06/08/2026 3 min de leitura

Banco projeta que o petróleo de referência internacional permaneça entre US$ 80 e US$ 90 por barril enquanto não houver definição sobre o conflito no Oriente Médio

Os preços do petróleo iniciaram agosto em queda diante das expectativas de uma nova trégua nos ataques entre Estados Unidos e Irã. O mercado também acompanha as negociações entre o governo iraniano e Omã sobre a gestão do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas para o transporte mundial de petróleo.

Na manhã desta terça-feira, as possibilidades de um cessar-fogo definitivo voltaram a influenciar os investidores. Em entrevista à CNBC, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que poderia haver um acordo para reabrir o estreito e avançar na normalização do conflito.

Brent recua no mercado internacional

Por volta das 12h, no horário de Brasília, o contrato mais negociado do petróleo Brent, com vencimento em outubro, registrava queda de 2,75%, cotado a US$ 81,47 por barril na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.

O Estreito de Ormuz é considerado estratégico para o mercado global de energia. Qualquer ameaça de interrupção na região tende a elevar os preços do petróleo por causa do risco de redução da oferta internacional.

Goldman Sachs estima faixa de preços

De acordo com o Goldman Sachs, o Brent deve permanecer entre US$ 80 e US$ 90 por barril até que ocorra uma confirmação de novo acordo entre Washington e Teerã ou, em sentido contrário, uma escalada significativa dos ataques e das áreas atingidas.

O banco também avalia que os preços atuais estão próximos do chamado “valor justo” do barril. Para chegar a essa estimativa, os analistas consideraram os estoques comerciais dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), as projeções de demanda, o preço de equilíbrio de longo prazo e a relação histórica entre estoques e cotações no mercado à vista.

Segundo o relatório, o mercado atualmente incorpora apenas um prêmio de risco moderado, apesar da incerteza relacionada à oferta de petróleo no Oriente Médio.

Estoques globais diminuem

O Goldman Sachs afirma ainda que o mercado físico de petróleo apresenta sinais de maior aperto. O indicador global de estoques visíveis acompanhado pelo banco apontou uma redução de 6,3 milhões de barris por dia nas duas semanas anteriores.

A queda pode estar relacionada à diminuição dos fluxos de petróleo pelo Golfo Pérsico e pelo Mar Vermelho, à redução das exportações russas e ao aumento das importações asiáticas, principalmente por parte da China.

O que pode influenciar os preços

A trajetória do petróleo nos próximos dias deverá depender principalmente de três fatores:

avanço ou fracasso das negociações entre Estados Unidos e Irã;

possibilidade de reabertura e normalização do tráfego no Estreito de Ormuz;

evolução dos estoques, das exportações e da demanda global.

Para o mercado brasileiro, mudanças expressivas na cotação internacional do petróleo podem influenciar os preços dos combustíveis, embora o repasse dependa também do câmbio, da política de preços das empresas e das condições de distribuição e revenda.

Fonte: Forbes Brasil.

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