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PPI (Preço de Paridade de Importação) — O que é e como funciona

04/08/2026 5 min de leitura

O conceito central

O PPI responde a uma pergunta simples: "se eu fosse importar esse combustível agora, comprando fora e trazendo para vender no Brasil, quanto custaria?" É um preço hipotético, calculado todos os dias, que serve de referência para saber se está mais barato comprar da Petrobras ou trazer de fora.

Como a conta é montada, passo a passo

Primeiro entra o preço internacional do combustível. Para diesel, o mercado usa como referência o ULSD negociado nos Estados Unidos (contrato na bolsa NYMEX). Para gasolina, usa-se o RBOB, também negociado em dólar por galão nos Estados Unidos. Esse é o ponto de partida — o preço "seco", sem nenhum custo adicional, de quem produz e vende esse combustível lá fora.

Depois soma-se o frete marítimo, que é o custo de colocar um navio na água e trazer a carga até um porto brasileiro (Santos, Suape, Aratu, dependendo da região). Esse frete varia bastante: depende da distância entre o porto de origem e o Brasil, se o navio foi contratado no mercado spot ou por contrato de longo prazo, e principalmente do nível de risco da rota. Rotas que passam perto de zonas de conflito, como o Estreito de Ormuz ou o Mar Vermelho, ficam mais caras porque as empresas de navegação cobram um prêmio de risco.

Junto com o frete, soma-se o seguro da carga. Esse seguro também sobe em períodos de guerra ou tensão geopolítica, porque as seguradoras internacionais aumentam o prêmio para cobrir o risco de a carga ser atacada, sequestrada ou o navio ser impedido de passar por alguma região.

Até aqui, todo o cálculo está em dólar. O próximo passo é multiplicar esse valor pela cotação do dólar (a chamada Ptax, que é a taxa de câmbio oficial usada pelo Banco Central). Esse é um ponto crítico: mesmo que o preço internacional do combustível não mude nada, se o dólar subir, o PPI sobe automaticamente só por efeito cambial. É por isso que analistas de mercado acompanham o dólar com tanta atenção quando o assunto é preço de combustível.

Depois de converter para reais, soma-se os custos que existem dentro do Brasil: taxas de desembarque no porto, armazenagem, movimentação da carga dentro do terminal. Em seguida entram os impostos: PIS e Cofins, que são federais e iguais para todo o país, e o ICMS, que é estadual e varia de estado para estado — por isso o PPI final pode ser diferente dependendo de qual porto e qual estado receberam a carga.

Por último, soma-se uma margem, que é o ganho de quem está fazendo a operação de importação (trading ou distribuidora), para cobrir o risco do negócio e ter retorno financeiro.

O resultado final e para que ele serve

Depois de somar tudo isso, chega-se ao PPI final, expresso em reais por litro. Esse número não é o preço que o consumidor paga na bomba — é um valor de referência técnico, usado para comparação.

A comparação mais importante é entre o PPI e o preço que a Petrobras (ou a Acelen, no caso da Bahia) está praticando internamente. Se a Petrobras vende mais caro que o PPI, isso significa que trazer combustível de fora ficou mais barato que comprar da estatal — nesse caso, as empresas privadas de importação e trading têm incentivo para trazer carga de fora, o que o mercado chama de "janela de importação aberta". Se a Petrobras vende mais barato que o PPI (que é a situação predominante em 2026), não faz sentido econômico importar, porque o produto estrangeiro chegaria mais caro que o nacional — a "janela" fica fechada, e as importações praticamente cessam, exceto por operações pontuais ou contratos já firmados anteriormente.

Por que isso é importante para quem acompanha o mercado

O PPI funciona como um sensor de pressão. Quando ele fica muito acima do preço praticado internamente por muito tempo, isso indica uma defasagem represada: a Petrobras está, na prática, "subsidiando" o consumidor ao não repassar o custo real de importação. Isso pode significar duas coisas para o futuro: ou a estatal vai precisar reajustar seus preços em algum momento para se aproximar da realidade internacional, ou o governo precisa aumentar subvenções fiscais para segurar o preço artificialmente baixo, o que tem custo para o orçamento público.

Além disso, o PPI é sensível e reage rápido a eventos internacionais — guerras, cortes de exportação de países como Rússia, tensões no Oriente Médio, variação do dólar — enquanto o preço doméstico da Petrobras, desde a mudança de política em 2023, não segue mais automaticamente essas oscilações. Essa diferença de velocidade entre o que acontece fora e o que é repassado dentro do país é justamente o que gera o fenômeno da defasagem, que hoje é acompanhado diariamente por consultorias como Abicom e StoneX, e que serve de termômetro para prever se haverá pressão de custo, risco de desabastecimento, ou espaço para reajuste de preços nos próximos meses.

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Conteúdo baseado em fontes públicas como ANP, CEPEA/Esalq, Banco Central, EIA, Petrobras e IBGE.