Mercado Externo

Rússia avalia estender bloqueio às exportações de diesel, dizem fontes

06/08/2026 4 min de leitura

Restrição, inicialmente prevista para terminar em 31 de julho, pode ser prorrogada por mais um mês, mas eventual suspensão poderá ocorrer antes caso o abastecimento interno se normalize.

Reuters — Publicado em 29 de julho de 2026, às 8h57

A Rússia avalia manter por mais um mês a suspensão das exportações de diesel, segundo duas fontes familiarizadas com as discussões. A medida poderá ser revista em meados de agosto, caso haja melhora no abastecimento doméstico e redução das pressões sobre os preços no mercado interno.

O bloqueio foi adotado inicialmente entre 8 e 31 de julho, como parte de um conjunto de ações voltadas à estabilização do mercado russo de combustíveis. A decisão ocorreu após ataques recorrentes de drones ucranianos atingirem refinarias e outras instalações do setor de petróleo, afetando a produção e provocando restrições na oferta interna.

Além do diesel, Moscou já havia limitado as exportações de gasolina e combustível de aviação. Na semana anterior, o vice-primeiro-ministro russo, Alexander Novak, afirmou que as restrições à gasolina seriam mantidas até o fim do ano. Sobre o diesel, porém, indicou que a proibição poderia ser retirada à medida que o mercado apresentasse sinais de recuperação.

Até a publicação das informações, o Ministério da Energia da Rússia não havia comentado a possibilidade de prorrogação. Uma decisão oficial ainda era aguardada.

Impacto sobre o mercado internacional

A possibilidade de prolongamento da medida aumentou a preocupação nos mercados globais de energia. A Rússia é tradicionalmente um dos principais exportadores mundiais de diesel, atrás apenas dos Estados Unidos, e a retirada de seus embarques reduz a disponibilidade do produto para compradores internacionais.

A restrição tende a elevar a disputa por cargas de diesel de outras origens, especialmente dos Estados Unidos. Países que costumam comprar combustível russo, como Brasil e Turquia, podem passar a competir com importadores europeus e de outras regiões pelos mesmos lotes disponíveis.

Mesmo antes da proibição, os embarques russos já vinham recuando devido à queda da produção e aos problemas provocados pelos ataques às refinarias.

Queda nos embarques russos

Dados da consultoria Kpler indicam que os embarques de diesel e gasóleo da Rússia ficaram, em média, em 234 mil barris por dia entre 1º e 10 de julho.

O volume ficou abaixo dos aproximadamente 400 mil barris por dia registrados em junho e também bastante distante da média de cerca de 817 mil barris por dia observada em 2025.

A redução evidencia o impacto das interrupções na infraestrutura de refino russa e ajuda a explicar a decisão de priorizar o abastecimento doméstico antes de retomar as vendas externas.

Reflexos para o Brasil

O Brasil está entre os compradores que podem sentir os efeitos da menor oferta russa. Embora produza petróleo em volume suficiente para atender sua produção de óleo bruto, o país ainda depende da importação de derivados, principalmente diesel, devido às limitações do parque nacional de refino e ao perfil elevado de consumo no transporte rodoviário, na agricultura e na indústria.

Com menos diesel russo disponível, distribuidores brasileiros podem precisar buscar cargas nos Estados Unidos, na Índia e em outros mercados. Essa mudança tende a aumentar a concorrência internacional, o custo do frete e a exposição do mercado nacional às oscilações do petróleo, do câmbio e dos conflitos geopolíticos.

Possíveis próximos passos

A Rússia poderá decidir pela extensão da proibição até o fim de agosto ou antecipar sua suspensão, caso o abastecimento interno melhore. A evolução dos ataques às refinarias, a produção doméstica e o comportamento dos preços serão fatores importantes para a definição da política de exportação.

Enquanto isso, a permanência das restrições mantém o mercado internacional de diesel sob pressão e pode prolongar a volatilidade dos preços nos países dependentes de importações.

Atenção: os dados sobre a possível prorrogação foram baseados em informações de fontes ouvidas pela Reuters. A confirmação definitiva depende de decisão oficial do governo russo.

Fonte: Reuters.

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Conteúdo baseado em fontes públicas como ANP, CEPEA/Esalq, Banco Central, EIA, Petrobras e IBGE.